
O Caminho do Sol é um roteiro, no interior de São Paulo, para peregrinos, idealizado por José Palma, considerado preparatório para quem desejar fazer o famoso caminho de Santiago de Compostela na Europa. O trajeto total é de 241 km partindo de Santana do Parnaíba passando por Pirapora do Bom Jesus, Cabreúva, Itú, Salto, Elias Fausto, Capivari, Mombuca, Saltinho, Piracicaba e terminando em Águas de São Pedro.
O custo da credencial (Passaporte do Sol) é de R$93,00 mais 2 quilos de alimento não perecíveis.
A credencial deverá ser carimbada em cada uma das cidades, dando direito ao uso dos serviços oferecidos aos peregrinos ao longo do Caminho. O último carimbo deverá ser aposto em Águas de São Pedro, oportunidade que se fará a conferência dos demais para a emissão do certificado de conclusão (Certificado Arasolis).
O relevo é bastante plano e não oferece dificuldades. O trecho inicial, até Cabreúva, pela Estrada dos Romeiros é por asfalto e o restante por terra.
Nossa viagem aconteceu de 25 a 27 de janeiro de 2008, feriado na cidade de São Paulo.
Dia 1 – Santana do Parnaíba – Fazenda Cana Verde – 62 km
Partimos de Alphaville (local de encontro) para Santana de Parnaíba, o que incrementou 10km no roteiro. Em Santana de Parnaíba nos reunimos na igreja matriz, marco zero do Caminho, para a foto de partida. Na seqüência passamos na Pousada 1806 onde retiramos as credenciais e entregamos os alimentos (doamos 100kgs de alimentos através do Programa Bike Xplorer Mundo Melhor) e recebemos o primeiro carimbo.
A primeira parada foi no mirante de Pirapora do Bom Jesus. Além das belezas da cidade, de lá é possível ver uma triste cena: a espuma sobre o rio Tiête (trecho mais poluído no estado de São Paulo) – momento de reflexão “Até onde estamos dispostos a ir e qual será o preço de nossa inconseqüência?”.
Alguns quilômetros à frente, a poucos quilômetros de Cabreúva, um acidente com um dos nossos integrantes. Por sorte não foi nada grave, mas os ralados na perna e no braço o impediram de seguir viagem. Aproximadamente no km 50 entramos na terra e o pedal ficou mais gostoso. Nossa parada para lanche foi no Armazém Limoeiro, na Fazenda Limoeiro da Concórdia, parte da Fazenda Concórdia, em Itu (www.casadefazenda.com.br). Após vários sanduíches de mortadela partimos para o trecho final até a fazenda Cana Verde, passando pela Fazenda Capoava (Roteiro do Charme) e neste ponto a chuva nos acompanhou.
Ao chegar à Cana Verde, fomos almoçar. Banquete servido do fogão a lenha. Muita fartura e descontração. No final da tarde, quando finalmente a chuva parou, conseguimos explorar a fazenda, que é produtiva e além de gansos, búfalos, carneiros, conta com centenas de cavalos utilizados para jogos de Pólo. Hospedamos-nos no albergue. Simples, mas agradável. A fazenda é uma ótima opção para passeios com a família (www.fazendacanaverde.com.br)
Dia 2 – Fazenda Cana Verde – Mombuca – 78 km
O dia ainda estava bem nublado, mas a chuva havia dado uma trégua. Após um bom café da manhã partimos para nossa jornada até Mombuca passamos por Salto, Elias Fausto e Capivari.
Estava ótimo para pedalar e o caminho foi por estradas de terra com pouco movimento e muitas plantações, boa parte de cana-de-açúcar.
Antes de cruzar a Rodovia do Açúcar, que liga Sorocaba a Piracicaba, passando diante de uma imponente casa, desgastada pelo tempo, localizada no lado direito do Caminho, que pertenceu outrora a Assis Chateubriand, o todo poderoso no setor das comunicações no Brasil, entre as décadas de 40/60.
Algumas das mais belas fotos da viagem foram feitas na enorme represa cujas águas abastecem a cidade de Capivari, e sua barragem situa-se na Fazenda Milha, em Capivari (cidade dos Poetas e de Tarsila do Amaral). Logo após a fazenda, no centro de Capivari, fizemos uma parada para lanche. A atração na parte da tarde foi a parada no Alambique da Fazenda Bianchini, onde todos provaram da boa pinga da região, extraída de tonéis com milhares de litros (parada obrigatória!).
Mais alguns quilômetros e chegamos ao destino, no Recanto dos Amigos Peregrinos, na pequena cidade de Mombuca. A instalação é em uma simples casa, sob administração do próprio Caminho do Sol. Tudo com muito carinho. Chegamos cedo, às 14h00, e tiramos o resto da tarde para descansar e tomar uma cervejinha na praça, em frente à Igreja matriz (coisa do interior!).
Dia 3 – Mombuca – Águas de São Pedro – 91 km
O dia começou cedo, às 06h15, para limpar as bikes.
Este foi sem dúvida o dia mais duro, pois além da quilometragem maior, mais subidas. Partimos por volta das 08h00 e em pouco tempo já estávamos no meio do canavial que nos acompanharia até o final da viagem. Passamos por Saltinho e Artemis, município de Piracicaba, local da parada para lanche.
Mais e mais pedal e chegamos ao portal de Águas de São Pedro, às 14h00, já buscando os principais pontos para fotos. Do portal até o ponto final do caminho, na casa de Santiago, no Mini Horto, uma bela área verde no centro da cidade são aproximadamente 1km. Na chegada, é uma tradição tocar bem forte o sino da entrada e ser recebido pelo idealizador do caminho, José Palma. Ele já nos aguardava no altar onde ficam as imagens de Santiago (doada por artesões Galegos) e de São Francisco de Assis. Palma nos comentou sobre o caminho e deu início a entrega dos certificados. Um ritual muito interessante e emocionante.
Após a missão cumprida e um bom banho fomos comemorar numa pizzaria enquanto nosso amigo Lobo, colocava nossas bikes na van que nos traria de volta à São Paulo.
“Sem dúvida essa foi mais uma excelente viagem onde pudemos desfrutar de belos lugares na presença de bons amigos e adicionar mais experiências à nossas vidas.”
Texto e
Fotos: Adilson Moralez (www.ecofotos.com.br)
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Certificado Arasolis / Passaporte do Sol
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