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Caminho da Fé 2007 (SP/MG)

Em quatro dias fizemos uma boa parte do Caminho da Fé e lá encontramos a pior subida de nossas vidas, o quebra-perna. O trecho de Luminosa a Campos do Jordão possui 19 km. Sofremos, mas fomos recompensados por um visual que vale cada gota de suor.

Prepare os pulmões e as pernas, Caminho da Fé é coisa de peregrino, mas biker adora. A versão brasileira do famoso Caminho de Santiago de Compostela foi criada em 2003 pelo experiente peregrino Almiro Grings, que além da vivência em trekkings internacionais, para nossa sorte, é biker e inclusive realizou uma travessia na Patagônia Chilena pedalando.

O Caminho já nasceu pensado nas mountain bikes. Para se ter uma idéia, atualmente, 30% dos peregrinos são ciclistas, um número considerável pelo pouco tempo de vida do roteiro.

Nosso grupo, organizado pelo Bike Xplorer era relativamente homogêneo, composto por sete malucos com uma proposta casca grossa. Fazer o percurso, de Tambaú a Campos do Jordão em quatro dias e totalmente autônomo, ou seja, sem veículo de apoio, teríamos que levar tudo que fosse necessário em nossas mochilas.

O caminho é realmente incrível. Diferentemente do que se pode imaginar o percurso é bastante técnico com muito 'single tracks' e muitas, mas muitas subidas que depois proporcionam downhills alucinantes, onde você literalmente despenca a 60km/h.

Se você acha que o Caminho é um passeio de bike, esqueça. São quatro ou cinco dias de muita ralação, uma verdadeira penitência. Mesmo que você esteja preparado suas pernas vão doer muito, mas o que importa é que pelo visual vale a pena.

As paisagens são maravilhosas e você passará por trilhas deslumbrantes, cafezais, plantações de milho, sorgo, morangos (isso mesmo você comerá muitos, mas muitos morangos), cana e laranjais. Encontrará muitas nascentes, bicas e cachoeiras. Terá que desviar de muitas pedras, pedregulhos e pedriscos, mas o mais importante, passará por serras incríveis como a do Espinhaço, a Serra dos Lima, o Pico do Gavião. Durante o dia de pedal você vai ver a altimetria dobrando após cada serra, ou seja, você sobe muito, desce tudo e volta a subir novamente, por vezes você faz isso três vezes no mesmo dia.

Os mais experientes, que não se permitem empurrar suas bikes, em algumas subidas terão que abrir uma ou algumas exceções. Acredite que entre as cidades Borda da Mata e Tocos de Moji você vai se deparar com uma subida que de tão íngreme asfaltaram os últimos 200 metros para os carros poderem subir e você terá que ir para o empurra bike, e o pior, em zigue-zague.

Você irá se deparar com o “quebra-perna” entre Luminosa e Campos do Jordão com uma subida ininterrupta de 19 km. Isso mesmo 19 km saindo de 950m para 1860m de altitude, algo próximo de 910m de desnível sem trégua. Você vai pensar em desistir, todo mundo pensa, são em média 90 km por dia. Sua mochila, que em tese fica cada dia mais leve, parece que a cada dia fica mais pesada. A vontade é de jogá-la montanha abaixo. Fomos com o mínimo necessário.

Tudo isso é possível, pois a cada 30 km você passa por uma pequena cidade ou vilarejo aonde é possível comer bem, instalar-se em pousadas simples e confortáveis e acima de tudo divertir-se muito. O caminho está se estruturando com boas opções de hospedagem e alimentação e neste ponto você não passará por nenhuma roubada. Se você gosta de uma ralação forte, tem experiência em longas pedaladas e principalmente tem FÉ, mas muita FÉ no seu PEDAL, o Caminho vai ter proporcionar momentos realmente mágicos de beleza, adrenalina e muita superação.

Texto: Paulo César Toledo
Fotos: Adilson Moralez

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