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ARTIGOS

- Pedalar, corrrer, não importa. Não pode é ficar parado.

Trinta e um de dezembro de 2005. 17h48. Sentado no sofá, cerveja na mão, grito para a minha mulher vir até mim. Ela aparece e lhe conto minha resolução de ano novo: “Vou correr a São Silvestre ano que vem.”. Recebo um olhar ao mesmo tempo desconfiado e bravo, por tê-la tirado de onde quer que ela estivesse.

Foi assim que tudo começou. Ou melhor, recomeçou. Desde moleque, sempre adorei esportes. Joguei bola, handball, nadei e pedalei muito com minha saudosa Caloi Cruiser Montana vermelha. Não fui triatleta por pouco. Ia para a natação pedalando. Se tivesse recebido um empurrãozinho, poderia também correr e, pronto, minha vida teria mudado para sempre a partir dali.

Mas aí vieram outros interesses. Amigos, baladas, mulheres, bebidas, cigarro. Ciao, esportes. Olá, noite. Foram muitas. E foram longas. Uma década e pouco depois, o resultado: 104 kg, colesterol, triglicérides e ácido úrico em níveis pra lá dos recomendáveis.

Voltemos a 2005. Na mesma noite, anunciei ao meu tutor e padrinho nos esportes, o Rodrigo, o meu projeto. Em janeiro ele me apresentou ao meu treinador, o Duda Kleinübing. Também fui ao médico fazer os exames necessários para começar a correr. Lembro até hoje do primeiro treino da minha primeira planilha: 5 minutos caminhando, 30 correndo leve, 5 caminhando.

Desde então minha vida virou do avesso. Pensando bem, virou para o lado certo. Perdi 21 kg, minha saúde está melhor do que nunca e meu preparo físico é surpreendente pelo histórico que acumulei. Atingi meu objetivo de correr a São Silvestre, e fiz o tempo que imaginei, mas fui além. Este ano vou correr meias-maratonas, voltei a pedalar - comprei uma bike usada e vou para o trabalho nela –, estou fazendo planos para viajar em duas rodas e participar de competições de cross triathlon.

Claro que para chegar a tudo isso houveram sacrifícios. Mas não me arrependo de nenhum deles. Tudo o que fiz, ou deixei de fazer, foi consciente. Mudei minha alimentação, parei de beber (tá, vai, tomo uma latinha de vez em quando), agora acordo às 5h30 para treinar.

Com a minha resdescoberta do esporte, ganhei muito. Em saúde, em disposição, em paciência, em disciplina. Não acho que meu caso deva servir de exemplo para ninguém, nem quero isso, mas garanto: fazer esporte é um santo remédio.

Autor:
Fabricio D'Amico